Sobre o projeto
O PcD na Escola nasceu para tornar o ensino de ciências exatas e tecnológicas acessível a pessoas com deficiência. Aqui você encontra textos, cursos e ferramentas pensados para necessidades educacionais específicas.
Como o projeto nasceu
2020: as aulas remotas e as exatas sem acessibilidade
O PcD na Escola começou antes de ter nome e antes de ter site, em 2020. Com a pandemia, as aulas passaram a ser remotas, e a acessibilidade não acompanhou a mudança.
Muita gente com deficiência largou os cursos nessa época por questões de acessibilidade, com impactos emocionais e na saúde mental. Dessa realidade, vivida também pela criadora do projeto, saiu o primeiro texto do PcD na Escola, escrito antes mesmo de o site existir: o texto sobre deficiência feito por pessoa com deficiência.
Uma dificuldade que se repetia
Em conversas com muitas pessoas cegas e com baixa visão, de origens e formações diferentes, a mesma história aparecia: a dificuldade com matemática, física, química e programação começou cedo, ainda na escola, por falta de materiais adaptados.
Muita gente cresceu achando que não se esforçava o suficiente, ou que essas disciplinas não eram para ela. O problema não era esforço. Era a falta de materiais adaptados e de metodologias de ensino inclusivas.
A ideia: um lugar com as exatas já adaptadas
Daí veio a pergunta que deu origem ao projeto: e se existisse um lugar com materiais de ciências exatas e tecnológicas já adaptados? A ideia era reunir, em um só lugar:
- Para profissionais de acessibilidade: a maneira apropriada de adaptar símbolos, fórmulas e gráficos, sem depender só da "boa vontade" de cada docente.
- Para quem adapta materiais: modelos que sirvam de referência.
- Para pessoas com deficiência: materiais prontos para estudar com autonomia, sem passar pelo processo burocrático de pedir cada adaptação.
- Para quem enfrenta as mesmas barreiras: as ferramentas criadas para estudar, compartilhadas.
O PcD na Escola nasceu para ser esse lugar.
De def.ciência a PcD na Escola
O projeto já teve outros nomes: foi def.ciência e foi deficiencia.org. Em 2022, ganhou o nome de hoje, PcD na Escola, escolhido por ser em português, fácil de entender e fácil de lembrar.
Do primeiro texto às ferramentas
O primeiro artigo saiu em maio de 2025, e o site ganhou a primeira versão em junho. Desde então, o projeto cresceu assim:
2025
-
, Artigo
Deficiência: História, Conceito na LBI e Modelos
O primeiro texto do projeto. Hoje ele abre a série Deficiência, Palavra por Palavra.
-
, Curso
Configurações do Windows 10 para Pessoas com Baixa Visão
O primeiro curso em vídeo: lupa, alto contraste e personalização do mouse.
-
, Série
Computação do zero, sem pressupor que a pessoa tenha nenhum conhecimento prévio.
-
, Ferramenta
A primeira ferramenta do projeto, para facilitar o aprendizado de química.
-
, Curso
Configurações do Windows 11 para Pessoas com Baixa Visão
Os novos menus, temas e recursos de acessibilidade do Windows 11.
2026
-
, Ferramenta
Converte expressões matemáticas em LaTeX para texto acessível em português.
O mesmo conteúdo em vários formatos
A ideia é a transversalidade (o mesmo conteúdo em formatos diferentes, para complementar o aprendizado):
- Vídeos com audiodescrição
- Transcrições dos vídeos
- Artigos em texto acessível
- Imagens com descrição
- Exemplos de código acessível
- Exercícios práticos
As imagens não ficam de fora: elas ajudam pessoas com outras deficiências ou necessidades educacionais específicas, como dislexia e TDAH. Por isso, vêm acompanhadas de descrições que o leitor de telas lê, para quem não consegue ver. Assim, o projeto olha para a acessibilidade além da deficiência visual.
Quem cuida do projeto
O PcD na Escola é um projeto solo: foi criado e é mantido por Louise Suelen, engenheira de software e pessoa cega. Foi feito do jeito mais simples e barato possível.
Por ser feito por uma pessoa só, o projeto ainda não tem recursos para intérpretes de Libras (Língua Brasileira de Sinais). Por isso, o site usa o VLibras, tradutor gratuito e de código aberto, e as aulas dos cursos têm legendas.
Por que existimos
Pessoas com deficiência enfrentam diversas barreiras no ambiente educacional, desde a falta de acessibilidade física até a ausência de materiais didáticos adaptados. Muitas escolas e universidades ainda não estão preparadas para oferecer um ambiente verdadeiramente inclusivo, e a falta de capacitação dos profissionais da educação e a escassez de recursos tecnológicos assistivos também são obstáculos que precisam ser superados.
Queremos facilitar o acesso ao conhecimento e à tecnologia, independentemente das necessidades educacionais específicas de quem deseja aprender, e ser um lugar excelente para compartilhar conteúdo sobre educação, tecnologia e acessibilidade, ajudando na formação crítica de pessoas com deficiência.
Para quem escrevemos
- Interior e cidades pequenas
- É difícil acessar informações especializadas longe dos grandes centros. Levamos o conteúdo até você.
- Comunidade e familiares
- O capacitismo acontece em todos os lugares e combatê-lo precisa de união e informação de qualidade.
- Escolas e educadores
- Para colaborar diretamente com a comunidade escolar na construção de ambientes mais inclusivos.
No que acreditamos
- Humanidade
- Tratamos a pessoa com deficiência como pessoa. Sem a visão de "coitadinha" nem a exigência de superação heroica. Apenas gente.
- Respeito
- Respeitamos a pluralidade e os valores do Estado Democrático de Direito ao falar sobre deficiência, incluindo a laicidade e a diversidade de visões.
- Combate
- Combatemos o preconceito, inclusive o que acontece entre as próprias comunidades de pessoas com deficiência. Não existe ranking de deficiências.
O projeto hoje
São 40 artigos em 10 temas, 2 cursos em vídeo e 2 ferramentas acessíveis, tudo gratuito e sem cadastro.